sábado, 25 de março de 2017

Ninho

Escute enquanto lê




Feito andorinha, ela migrou do inverno - que se encontrava, sobretudo, em seu coração. Seguia em busca da felicidade que vem junto com a primavera.
Voando a esmo sem saber quando chegaria ao seu destino, carregava todas as feridas em sua bagagem. 
Ela renasceu, como as flores que sempre ganham uma nova vida após os rigores do inverno e embora estivesse rodeada por elas, ainda não aprendera a sentir o perfume que delas exalavam.
Essa menina, pequena como andorinha, não sentia muita coisa. Seu sentir era estranho, sem vida, quase anestesiado. E embora estivesse mais viva que outrora, não suportava o vazio que agora lhe fazia companhia.
O "nada" que fez morada dentro dela era muito mais doloroso do que a dor que sentira por tanto tempo. 
E ela se maravilhava transportando-se para o futuro em que encontrava o amor genuíno. 
Era incrível encontrar o seu lugar no mundo dentro do ninho que ela sempre sonhava em fazer morada. E esse ninho não estava tão longe dali, mas ela esbarrou no tempo que sempre foi o maior causador de desencontros da vida.
Ela nunca voou para muito longe de sua zona de conforto. Ela tinha medo de se deixar levar pelo vento do céu. Ela entendia os perigos do encantamento pelo infinito.
A primavera trouxe as flores e nesse tempo em que esteve só, o amor a encontrou. Ensinou-a como sentir o perfume das flores, fez-lhe companhia nos vôos e nos pousos e construiu com ela um lar de felicidade.
Eles voaram juntos e inventaram uma nova forma de sonhar, até que o inverno chegou, sinalizando que ela teria que migrar em busca da primavera outra vez. Contudo, dessa vez decidiu não partir. Andorinha que era, sabia que nenhuma tempestade seria o bastante para endurecer o sentimento que crescera com urgência. Dentro dela se fez uma certeza, ela gostaria de morar para sempre ali, ainda que tivesse que enfrentar os climas desconfortáveis de todas as estações. 
Ela encontrou nele o melhor lugar do mundo para viver: o seu coração.
A menina andorinha vive com o Senhor andorinho há 41 meses em um ninho, situado na Rua Dez de uma pequena cidadezinha do interior.
Essa andorinha é grata por ter encontrado seus braços para repousar depois de uma longa viagem.



Alessandra Rocha


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Proteção...


Escute enquanto lê


Li uma vez em um livro que a marca mais frequente que as pessoas deixam em nós são cicatrizes, mas eu nunca pensei que você estaria incluso nessa estimativa. 
Essa ferida que se abriu em meu peito, ainda sangra e está longe de cicatrizar.
Então eu concluo agora: a única marca que você deixou em mim, foi uma ferida inflamada, dolorida e totalmente exposta. 

Você falou que esse é o caminho mais seguro. Que caminhar por ele é a forma mais fácil de ninguém se machucar. Mas você não percebe? Machucada eu estou agora, enquanto te vejo acenar o adeus que só cabe a Deus marcar. 
Depois de tanto tempo, quando eu realmente pude acreditar no amor, a vida me golpeou com chutes no estômago. Estou até agora tentando encontrar o ar. As lágrimas descem como nascente pelas maças do meu rosto. Não é fácil reaprender a respirar.

Proteção...

O câncer se colocou entre nós. Sabia que ele matou a mim, antes mesmo de conseguir matar você? Ele levou consigo as certezas que eu tinha de que dessa vez eu seria feliz. Mas não foi seu câncer que matou meus sonhos. Foi você. Você não acreditou em nós.
E ser feliz exige um tanto de acreditação. Não é a toa que felicidade, começa com "Fé".

Proteção... Sim. Seu eterno discurso.

As suas tentativas de me proteger do que que acontecerá no futuro são em vão. Já parou para pensar que você não pode me proteger da dor que eu sinto agora? 
Eu entendo. Sei que você está assustado. Sei que os tratamentos não são fáceis e que às vezes quem está ao redor, sofre mais do que o próprio portador da doença. 
Mas eu queria que você me quisesse ao seu lado. Eu queria fazer dos seus "últimos momentos" os mais felizes possíveis. Eu queria que você tivesse fé. Fé em você. Fé em mim. Fé no meu amor.
Eu quero tornar feliz, os seus dias sem esperança. Eu quero segurar a sua mão quando você achar que não vai mais aguentar. Eu quero te abraçar, quando, durante a noite, você não conseguir dormir. Eu quero transformar em infinito os seus pequenos dias marcados. 

Eu não quero prolongar a sua agonia, mas eu queria que você pudesse sentir o meu coração. Ele tem sangrado todos os dias, desde o nosso último dia juntos. 
EU SEI, EU SEI, a bendita PROTEÇÃO. Desculpa eu já estar gritando e chorando nesse momento, mas é que eu não consigo compreender, de nenhuma maneira, que proteção é essa que me priva de estar ao lado daquele que eu mais amo e que eu já amei em toda a minha vida. É impossível proteger aquilo que já foi penetrado. 
Sentimentos não podem ser controlados. Infelizmente, não existe um botão "liga/desliga' no meu sentir. E a única coisa que me curaria agora, seria saber que você me ama tanto, ao ponto de me desejar ao seu lado, ainda que amanhã ou depois, você se torne apenas um capítulo em minha vida. 


Eu te amei quando ainda era uma menina e você meu professor, e muitos anos depois, o universo (ou porque não Deus?) nos uniu. 
Porque ao invés de tentar me proteger, você não me deixa te amar? Eu sei que eu posso fazer isso. E eu te garanto, não haverá arrependimentos em mim. 
Deixe-me contar-lhe um segredo? 
Um dia, todos nós iremos morrer, sobretudo, morre um pouco a cada dia aquele que não descobre o que é amar. 



Texto inspirado na história de amor de uma leitora que não deseja ser identificada,
Obrigada pela confiança, A.L. 

"Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece."
Raquel de Queiroz

Música: Speeding Cars - Walking on Cars

Alessandra Rocha 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Deseja trocar de música?

Ouça enquanto lê





Ei menina, se você soubesse do meu bem-querer, talvez você tiraria esse iceberg do peito. 
Eu posso derretê-lo se você quiser. Apenas me diga sim.
Há quanto tempo estamos brincando de pic esconde? 
Há quanto tempo começamos esse jogo de indiferença?
Eu quero ser o calor quando você for o frio. Eu quero ser calmaria quando tudo em você for tempestade.
Eu te puxo pra dançar e você não encaixa seu corpo ao meu. Será que você tem medo?
Deite seus olhos sobre os meus. Não desvie seu olhar de mim.
Me permita que eu te guie nessa dança. Afinal, há quantos anos estamos dançando a mesma música? (Deseja trocá-la?)
Se eu me calo é porque você não compreende o meu sentir. Se eu me afasto é pra você não se cansar de mim. 
Não sei se a menininha descolada vai querer um nerd como eu.
Me pergunto se não sou pouco para tudo o que você sonha em ter?
Venha. Aproxime-se. Deixe-me dizer o que me faz continuar aqui.
Se você não desviasse tanto os seus olhos dos meus, eu não teria que falar tanto.
Meus olhos dizem tudo o que meu coração tem medo de dizer. Você ainda não aprendeu a lê-lo?
Me diga então você, o que é que eu não entendo? 
Me explique porque nos repelimos tanto, se a vontade é de estar cada vez mais perto?
Garota, eu quero o seu amor pra mim. Mas você sabe, eu sou complicado demais pra dizê-lo em voz alta.
Eu temo ser patético entregando meu coração sem garantias de que ele terá um lar.
Seria demais pedir que você me dê o seu coração também?
Venha menina, me mostre o que eu já não posso ver.
Estou tentando te conduzir há muito tempo em uma dança que não faz muito sentido pra mim, mas eu tenho me esforçado pra continuar, já que a música é um mero um detalhe, quando eu tenho em meus braços um universo lindo por inteiro para admirar.



Música: Shape of you - Ed Sheehan

Alessandra Rocha










quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Meu doce lar

26/10/2016

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(Música: Home - Gabrielle Aplin)

Cataloguei teus jeitos menino. Gravei todos os seus sorrisos. E quando fecho os olhos, posso ouvir teu riso nitidamente.
Sorrio involuntariamente quando, enquanto lavo a louça, você surge como mágica e me abraça, repousando seu queixo sobre a curva do meu ombro.  
Em vão, tento amenizar meus sentimentos. Tu bem sabes menino: é perigoso amar demais.
Mas esse tanto bem-te-querer é pouco para alguém que sente tudo em demasia.
Minhas urgências são de você. Sinto saudade mesmo quando estás há um cômodo de distância.
Seu abraço sempre traz calma para minha inquieta alma. Eu sou o caos que você aprendeu a arrumar. Eu sempre soube: lar é onde o coração está.
Você é o oasis do meu deserto, o meu cobertor quentinho num dia frio. Você é sorvete de leite ninho. Você é a arte de Deus que eu mais gosto de admirar.
Te emoldurei em meu coração, querido. Você é o caleidoscópio que meus olhos mais respeitam. Seu olhar é o labirinto mais difícil de escapar. E eu me rendo. Já não sei me ser sem que haja você. 
Hoje faz bodas de trigo que estás bordado em mim. Hoje faz 3 anos que deixamos de nos ser, para sermos um só. 

P.S: Lembra o tanto que eu gosto de sorvete de leite ninho. Agora me diz se eu não te amo muito? (risos).

Alessandra Rocha da Silva

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O coração mais lindo que eu já morei

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Hoje eu acordei não sabendo lidar com a saudade que eu sinto de você. E cansada da dor de não mais tê-la em minha vida, eu apertei o botão no meu peito que ativa o esquecimento. 
Ao apertá-lo, apaguei da minha mente tudo o que vivemos juntas. E agora será como se você nunca tivesse existido nela.

E de sobressalto, eu realmente acordei. 


Acordei não sabendo lidar com a saudade que eu sinto de você. 
A saudade me nocauteou e me fez chorar o dia inteiro. Eu chorei porque os mal entendidos nos separaram, porque não ouço mais o seu riso, porque não tenho mais a calma do seu abraço, porque não te ouço mais contar as suas alegrias e porque num ímpeto de tristeza e decepção, eu joguei fora a nossa única foto que tirei com a minha polaroide no seu último aniversário em que estive presente. Será que você ainda tem uma foto de nós duas juntas? - me pergunto esperançosa. 
Eu chorei porque sempre sonho com você e acordo triste sem saber como você está. Eu chorei porque vejo você vivendo a sua vida sem que eu faça parte dela. 
Lembro-me do último dia que choramos nos braços uma da outra e eu não pude perguntar como tudo se ajeitou depois daquele dia. 

Erramos uma com a outra. Fomos negligentes em não resolver pessoalmente algo tão importante como a nossa amizade. Sinto como se tivéssemos pegado os 8 anos que vivemos juntas e amassamos como uma bolinha de papel pronta para ser jogada no lixo. O problema é que eu não consegui me desfazer dela. O problema é que apesar de tudo, eu nunca deixei de te amar. 
Agora eu apenas te amo de longe e sem que você suspeite. 
Agora eu tenho um memorial do que fomos em meu coração. 

Li a última carta que você me deu e abracei-a como se fosse você. Novamente chorei.
Eu queria fugir das memórias. Eu queria fugir dessa tristeza que me aflige por não te ter mais aqui. Eu queria fugir da casa de lembranças que construímos juntas. 
Eu queria poder voltar no tempo para poder parar com essa minha mania de querer ter proteger de pessoas mal-intencionadas. Eu queria que você fosse capaz de perdoar a minha forma de cuidar.
O que importa é que mesmo que você tenha partido, muito ficou.
E eu aprendi que, na vida, o que importa realmente é o que fica e não quem fica. Por isso eu me permito chorar. Por isso eu me permito sentir sua falta. Porque você deixou muito em mim. 
Eu sei que essa dor é a única certeza que eu tenho de que você me amou. Essa dor é a única certeza de que você (ainda) existe em mim. E ficar em mim de uma forma tão única é a certeza de que tudo que vivemos foi verdadeiro. 

Abraço sua carta novamente e sorrio- me sentindo grata. Eu dividi 8 anos da minha vida com você. Caminhamos juntas e nos cuidamos mutuamente. Nada foi em vão. Eu sinto que não foi, pois das maiores lições que eu poderia aprender com você, eu aprendi como ser alguém melhor. 
Espero um dia poder te dizer isso. E espero nesse mesmo dia poder sentir novamente a calma do seu abraço. 


E sobre a sua carta, quero mostrar para os meus futuros filhos e dizer: 

"Ela foi o coração mais lindo que eu já morei." 


Com todo o amor de sempre, 
sua Tampico.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Me diga não

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Me diga não. Diga que não deseja o meu corpo. Diga que o meu sorriso não torna o seu dia mais bonito. Diga que a minha ausência não é notada e que a minha presença não é sentida. Diga que meus olhos não são caminhos para você se perder. Diga que o meu amor não é suficiente para fazer você ficar. 
Eu já sei de tudo isso sem que você precise dizer. Mas esse amor que sinto me faz acreditar que eu posso ter uma vida com você. É por isso que, encarecidamente, eu te peço: acabe com essa esperança ridícula. 
Eu não vou me importar se você disser que o meu beijo é horrível ou que meu perfume é enjoativo. 
Eu não quero palavras doces. Eu não quero que você me diga que eu te faço bem, porque você sabe que eu queria ser o seu único "bem". 
Me poupe de cuidados. Me poupe de compaixão. Eu te dou a permissão para acabar com meu coração. Eu te isento de qualquer sentimento de culpa. Contanto que você me ajude a seguir em frente. 
Eu detesto incertezas. Eu odeio a dúvida. Eu queria abrir seu peito e como os espiões fazem nos filmes, entortar um clipes e forçar a fechadura do seu coração para analisá-lo por inteiro. Queria observar cada cantinho seu e descobrir o que te faz amar. Eu queria entrar na sua cabeça e saber quais são os seus pensamentos. Eu queria ser o objeto do seu amor. Mas eu sei que o "sim" que eu tanto desejo nunca chegará. 
Chorei cinco noites inteiras e  percebi que eu preciso seguir em frente (com ou sem você). 
Não quero mais encontros casuais. Não aceito mais abraços quentes. Não desejo seus sorrisos. Entenda o meu sofrer e atenda ao meu pedido. Não se preocupe comigo. Não será a primeira vez que eu terei que recolher os meus pedaços deixados pelo chão. Eu só não quero mais me iludir.
Entre a dor e o nada eu escolho a dor. Entre a dúvida e o não, eu escolho o não. Pelo menos com ele eu posso recomeçar. A dúvida estagna. O "não" liberta, por mais doloroso que ele possa ser.
Não se demore em responder. Estou indo dormir, mas aguardo ansiosamente o seu "não". 

Depois de enviar essa mensagem pra ele no whatsapp, coloco o celular para carregar e me deito para dormir.
Dois minutos depois me pego pensando: "Seria incrível eu acordar amanhã com um "sim" dele."
Balanço a cabeça e rio sozinha. A esperança é mesmo uma idiota. 


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Piegas

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Estou desde ontem tentando te escrever o que eu sinto em mais um dia "lefran", mas temo ser repetitiva e deveras piegas. 
Fiquei a noite toda com o notebook aberto em uma página em branco, apenas sorrindo enquanto pensava em todos os motivos pelo qual eu sou tão feliz ao seu lado. 
Agora já passa da meia noite e você está deitado de bruços ao meu lado, respirando profundamente com a mão esquerda sobre a minha cintura. E enquanto eu te escrevo, paro inconsciente para te admirar dormir. Será que sonhas comigo? - pergunto-me enquanto acaricio o seu rosto inerte.  
Eu fecho os olhos por um segundo e viajo no passado. Eu achava que amor era aquilo que eu sentia pelo primeiro namoradinho que eu tive. Eu achei que amor fosse aquilo que eu senti pelo último rapaz que fiquei antes de te conhecer. Não, definitivamente não era. Balanço a cabeça sorrindo e pensando em como eu era boba.
O engraçado é isso que acontece agora. Meu coração transbordando amor enquanto a cabeça dá replay em cada momentinho lindo que passamos nesses quase 5 anos juntos, sendo quase 3 casados. Hoje não estou sabendo escrever o que é você pra mim. 
Eu queria saber dizer o que sinto toda vez que você me beija o topo da cabeça antes de ir para a cozinha beber água, quando senta no sofá para assistir algum programa e me envolve em seus (a)braços, quando me sente muito quietinha e pergunta preocupado "o que foi minha pequena?".
Eu poderia escrever que o seu riso me faz sorrir. Eu poderia explicar os motivos pelo qual eu te amo tanto. Mas eu só sei sentir. E você sabe que eu sinto muito. 
E na falta de tudo o que eu queria dizer, eu só sei ser grata. Grata a esses 58 meses vivendo ao seu lado. 
Eu acordo sempre sorrindo porque não importa o que aconteça, você sempre deixa (e faz) o meu mundo mais bonito. 

Está vendo? 
Não dá pra falar de você sem ser piegas, porque quando eu falo de você, eu falo de amor e o amor, por si só, é muito piegas. 



 Alessandra Rocha

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Em reforma

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Eu só não queria me envolver.

Eu estava dançando, bem de boa, com minha bebida na mão e aí ele surgiu do meu lado puxando um assunto aleatório. Eu achei ele legal, mas confesso que naquele momento ele não chamou a minha atenção.
Dias depois ele me adicionou no facebook e logo já estávamos cheios de intimidade no whatsapp. 
Primeiro eu encontrei o mundo nos olhos dele, depois eu já me sentia parte daquele mundo que eu via nos olhos dele. 
Eu sentia que ele me queria perto. Eu sentia que ele queria que eu fizesse parte da vida dele. Tínhamos sintonia de todas as formas possíveis. Mas ele desapareceu. 
Não deu nem tempo de eu dizer que, em uma das noites que ele me deixou em casa, eu dormi abraçada com o meu moletom porque tinha ficado com o cheiro dele.
Eu pensei em ir na casa dele e falar tudo o que eu estava sentindo. Eu pensei em mandar um aúdio falando sobre o meu sentir. Pensei em escrever que eu sentia falta. Mas desisti. 
Eu não saberia lidar com a resposta, caso ela fosse um 'silêncio'.  
Vou te contar que não tem sido fácil. 
Antes de dormir eu fico criando diálogos na minha cabeça que nunca chegarão a acontecer. Eu fecho os olhos para dormir e fico criando cenas com ele na minha mente como se estivesse sonhando. Fico pensando em todos os motivos que levaram ao sumiço e nunca compreendo o que eu posso ter feito de errado.
Hoje quando acordei, eu decidi que não iria stalkear mais o perfil dele nas redes sociais. 
Exclui o número dele dos meus contatos para que, depois de três bebidas na balada, eu não tenha um lapso de memória e mande mensagem dizendo que quero vê-lo. 
Hoje quando eu acordei eu decidi esquecê-lo. E antes de sair de casa pendurei uma plaquinha no meu coração escrito "em reforma". 
Agora eu só deixarei entrar quem for capaz de arrumar o estrago que ele causou.

Eu só não queria me envolver. 

Alessandra Rocha

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Utilize o manual de instruções

Ouça enquanto lê👇🏼



Manual de instruções Dela

Advertência:
Para reduzir o risco de explosão, não a exponha a situações de grande estresse. 

Precauções:
Possui um coração frágil que pode ser facilmente danificado.
Se sofrer quedas ou decepções pode perder as peças de confiança. 
Possui antenas que detectam passos em falso causadores de possíveis explosões.

Informações Técnicas:
Ela foi projetada com máxima atenção. Suas medidas fazem harmonia com cada curva de seu corpo e as peças internas foram criadas por um engenheiro grandioso. Tem sentimentos verdadeiros e espera reciprocidade.
Não sabe fingir que não sente o que sente e é transparente demais.
Ela é delicada e precisa ser manuseada com cuidado. Possui tecnologia de ponta e sistema super sensitivo. 

* Siga todas as precauções para evitar panes emocionais.

Modo de usar:
•Na primeira vez que você encontrá-la, sorria e abra a porta do carro para ela entrar.
Ela admira o cavalheirismo.
•Conte sobre a sua vida, fale sobre seus sonhos e objetivos. Fale sobre seus hobbys e sobre a sua visão da vida. Tenha tempo de qualidade. Garanto que assim já terá feito uma grande amiga. 
•Mantenha-na segura. Cuide para que ninguém a machuque. Inclusive você mesmo. Seja sempre sincero e não engane-a, ela é muito valiosa. 
•Não seja invasivo. Faça apenas o que ela permitir. Não obrigue-a a nada. Ela não funciona com pressão e pode apresentar defeitos caso você force alguma coisa.
•Quando perceber que ela está apresentando sinais de tristeza, pergunte qual é o seu problema e se ela não quiser conversar apenas abrace-a e ouça o que o seu silêncio diz. 
•Preste atenção naquilo que ela não diz. Ela fala mais com ações do que com palavras. 
•Beije-a quando ela sorrir pendendo o rosto devagar para a direita, esse é o seu sinal involuntário de permissão.

Configurações:
Qualquer problema pode ser facilmente resolvido com diálogo e paciência. 

Informações adicionais:
Pra ela permanecer na sua vida, lembre-se de fazer regularmente uma revisão com esse manual. 
Mas essa revisão é feita em você e não nela.
Você precisa verificar se está cumprindo de forma correta a todas as instruções.

Suporte técnico:
Caso ela apresente algum defeito de fábrica, não a devolva. 
O seu amor pode consertá-la.
© 2016 *AMOR* Entertainment Inc. All rights reserved. 

Alessandra Rocha

terça-feira, 21 de junho de 2016

Instável

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"Eu não quero mais encontrar o amor. O amor machuca."

Não moça, não é o amor que machuca. O que machuca são as pessoas que não sabem amar.
O amor é nosso combustível. É ele que dá sentido a nossa vida.
Se eu puder te pedir algo menina, eu peço que nunca desacredite no amor. É tão triste ter uma vida sem ele. 
Sim. Eu entendo que você sofreu muito, pequena. Eu sei que não é fácil fechar o buraco que se abre no peito depois de um fim. Mas sabe de uma coisa? Tudo que vivemos é aprendizado. As quedas que sofremos são para nos preparar para o verdadeiro amor. E o amor chega depressa, mas ele precisa nos encontrar maduros. E amadurecer significa cair algumas vezes. Aceite! As quedas são necessárias.

Olhe ao seu redor. Vê quantas pessoas choram por ter perdido alguém? Olhe suas redes sociais cheia de pessoas que parecem felizes postando fotos bebendo na balada. Elas não são felizes assim, moça. Não se engane. Quando elas chegam da balada, elas deitam na cama e choram de saudade de alguém ou porque não conseguem encontrar outro amor. Elas se dizem livres e felizes sem amor. Mas me diz menina, quem consegue ser feliz sem um amor?

Pequena, esse moço que te fez sorrir de novo, depois de tanto tempo, também já sofreu muito. Ele sabe o que você sente. Ele sabe o que você sentiu. Ele sabe.
Perdoe as falhas, perdoe o medo, perdoe a insegurança. Ele é instável. Ele tem um turbilhão de sentimentos bagunçando tudo dentro de si. Ele tem medo de entregar o coração dele pra você fazer o que quiser. Ele pensa que você pode fugir com ele, como a outra fez. Ele tem medo da bagunça que você pode fazer na vida dele se você desistir de ficar.

Claro que eu sei que você também tem medo, pequena. Mas as mulheres superam um fim mais rápido, porque elas não camuflam a dor com uma "falsa felicidade". Elas se permitem sangrar e aceitam o fim, além de terem amigas mais otimistas. Os homens não. Acredite! Eles não têm tanta fé no amor como nós. E os amigos também não ajudam muito, né? Imagine a pressão que eles fazem. Eles contribuem consideravelmente para a confusão se instalar. Eles dizem: "Larga de ser tonto. Você namorou durante anos, foi noivo e ela te deixou. Pra que se enroscar de novo? Não lembra o que aconteceu? É melhor viver solteiro."
Tsc, tsc, tsc. Machistas e bobos. Os homens são assim. 

Sabe o que acontece, pequena? Eu vejo muita gente de bom coração que depois que sofre uma decepção, não consegue mais se entregar a outro amor. Elas têm medo de sofrer de novo e fogem da felicidade. Elas se auto-boicotam, pois sabem a carga emocional que causa sofrer por amor. As pessoas criam um escudo anti-sentimentos e não se permitem recomeçar. 
Vai me dizer que você nunca quis fugir quando conheceu alguém e sentiu que poderia ser feliz demais? Você sente que pode ser feliz demais e tem medo de sofrer na mesma proporção, não é mesmo? 
Eu sei pequena, eu sei. Eu já passei por isso. No entanto, ainda que eu pudesse sofrer novamente, nunca deixei de acreditar no amor. 

A verdade é que apenas quem tenta consegue ser feliz, pequena. Só quem tem esperança reencontra o amor. 
O amor foi feito para todos, mas ele só vai ao encontro dos corajosos. Porque sou convicta de que amar é um grande ato de coragem. 
Seja corajosa, menina, acredite no amor, pequena, e a recompensa será incrivelmente incrível. 
Have faith! 


Texto inspirado na história da minha querida amiga Aline e seu namorado Fabrício. 
Escrito ao som de Unsteady - X Ambassadors que foi trilha sonora do filme "Como eu era antes de você."


Alessandra Rocha

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os heróis também sangram


Ouça enquanto lê.


Olha o que você faz... Eu mal comecei a escrever e encontro um rio nascendo em meus olhos. 
O motivo das minhas lágrimas? Ah pai! Há tanto amor em mim. 
Você é o herói que sempre me salvou dos meus medos mais profundos, e, contraditoriamente, é o maior de todos eles. 

Respiro fundo agora e seco uma lágrima que tenta encontrar o chão.

Lembro-me das lágrimas escorrendo por seu rosto abatido e das tantas dores que sentiu naquela tempestade que enfrentamos há dois anos atrás. (Minhas lágrimas tem mais coerência agora?)
Volto agora uns 15 anos no passado e me vejo, ainda tão pequena, conversando com Deus sobre você. Em uma oração, que vejo agora quase como uma súplica, acompanhada de pequenos soluços, eu pedia que Ele te protegesse e te trouxesse para casa sã e salvo. Atualmente, a oração é a mesma, mas depois de alguns anos, aprendi a fazê-la de joelhos. E sim, Ele sempre me ouviu.
É meu "véinho", (sorrio agora e te ouço falar "Sanda, eu sou sei pai") quantas coisas impassíveis de mudança. Quantos sonhos deixados à deriva. Quantos sentimentos guardados no recôndito do teu ser. E eu ainda estou aqui, tentando decifrar suas dores. Tentando encontrar o antídoto dos seus traumas. Tentando achar a cura das suas faltas, que você sempre preenche com aquilo que te adoece mais. 

Pausa. Preciso novamente secar minhas lágrimas e acalmar o soluço incessante que surgiu em meu peito.
Nunca pensei que fosse tão doloroso estar em seu lugar. 

Eu sei Pai, que muita guerra acontece do lado de fora. Mas é do lado de dentro que deve existir paz, não acha?
Sinto que há mais guerra dentro de você do que em qualquer outro lugar. Por que Pai? Limpe tudo. Mande todos esses terroristas embora. Este lugar é seu. Cuide dele. Encha-o com música e amores. Enfeite-o com seus sonhos.
A vida é simples Pai, não é toda essa complicação que te fizeram acreditar. Você confia em mim?

Suspiro e vejo seu rosto pensativo. 

A verdade é que você sempre cuidou dos outros e nunca permitiu ser cuidado. Às vezes te encontro submerso em pensamentos que permeiam seu coração. Você não sabe o que fazer com essa confusão de sentimentos que te aprisiona. Você não sabe o que fazer com o que restou de você. Eu te entendo.
Suas guerras interiores aparecem escritas nas linhas da sua testa. Não consigo interpretá-las com clareza, mas eu sempre tento. 

Acho que o segredo é parar de tentar ser forte o tempo todo.
Eu nunca tive a pretensão de ser sua heroína, mas eu gostaria de poder sarar suas dores e espantar os seus fantasmas. Eu queria ter o poder de te salvar de você mesmo. Queria ser pra você, metade do que você foi pra mim. Talvez ser o colo em que você pudesse chorar sem sentir vergonha ou o abraço nos seus dias de angústia. Ainda não consegui ser nada disso, mas sempre serei a mão que te ajudará a levantar quando você cair. 

Sabe o que é engraçado? Eu ter tanto pra falar mas não conseguir transpor o meu sentir para o papel. Tudo cala. Talvez seja essa a mágica do amor. Ele não se deixa traduzir em palavras. Ele é reconhecido além delas. 
Amor é aquilo que fazemos e não o que falamos - concluo agora. 
E aí surge o meu questionamento: será que eu fiz tudo pra demonstrar o meu amor por você? Me diz, Pai?

Enquanto espero sua resposta, olho pra mim. Vejo quem sou, o que fiz e aonde eu cheguei. 

Gratidão define o que sinto. Sou grata por todos os dias que me levou e buscou na escola. Por todas as vezes que acordou de madrugada pra me levar no trabalho, por medo de eu ir sozinha no escuro. Sou grata por ter tornado mais leve o peso da vida corrida entre faculdade e trabalho. Sou grata por todas as vezes que fez de tudo pra me curar de uma doença qualquer. Se você tivesse seguido a profissão de enfermeiro, eu sei que teria sido o melhor. 
Sou grata por todos os sorrisos, por todos os momentos. Sou grata por ser quem és. Tudo bem, a personalidade não é digna de um Oscar, né? (risos). Mas só quem vê com o coração, te conhece de verdade e te ama, apesar de. 
Obrigada por me amar e demonstrar esse amor de todas as formas possíveis.
Eu sempre entendi que não me deixar ir para algum lugar ou não me deixar fazer algo, era a sua forma de me proteger do mundo (que é, na maioria das vezes, cruel). E eu agradeço por isso. Os seus limites me levaram longe.  
Eu só desejo que um dia você perceba que os heróis também sangram (e choram). 
Se permita sangrar. São as cicatrizes que nos lembram o quanto somos fortes. 
Apenas tenha a certeza de que diante de qualquer ferimento, você terá alguém que aliviará as suas dores e fará os seus curativos com todo o amor. 

Você olha pra mim e eu assinto com a cabeça respondendo: "Sim. Eu."



Feliz aniversário Pai. 
Que o Paizinho do céu continue te protegendo sempre e fazendo tudo aquilo que eu não posso por você.
Eu amo você.
 (e amo muito)

E nesse momento ouço sua voz dizendo: "Eu amo mais!"


"Just close your eyes
The sun is going down
You'll be alright
No one can hurt you now
Come morning light
You and I'll be safe and sound."

Alessandra Rocha

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Coração de andorinha

Minha cura?
Acostumei-me a enxergar mais além do que normalmente pode-se ver.
Continuei seguindo os caminhos que se abriam sob meus pés, ainda que não soubesse o que me esperava no horizonte. E o horizonte sempre foi minha maior ilusão. No entanto, descobri com ele, que quando chegamos lá, tudo ainda está longe do fim,. Então sigo além.
A pureza dos humanos que tropeçaram em mim e que me acompanharam pelo caminho, também foi crucial.
Mas a cura, a cura mesmo, eu encontrei aqui. Vê onde aponto? Não! Não no peito. É no que tem debaixo dele. Sob toda essa camada de pele, gordura, nervos e ossos. Foi nesse pássaro - que canta e que pulsa dentro de mim - que eu a encontrei.
Nada extinguiu essa minha acreditação no amor, apesar das pequenas quase mortes em vôos rasantes. Nada findou essa fé nas pessoas, apesar dos tantos sepultamentos e ferimentos causados nas asas.
Meu pássaro tem um tipo de esquecimento raro, e belo talvez. Ele apanha e sofre, mas sorri quando vê que o outro pode voltar a voar com ele.
Minha cura foi o entendimento de que a verdadeira morte é a ausência da esperança.
Acreditar é o que me possibilita voar. Esperar é o que me motiva a continuar. E continuar é, sobretudo, confiar no que ainda não se vê.
E eu compreendi: meu dom é insistir (nas pessoas, nos sonhos, na vida).


Alessandra Rocha

domingo, 10 de abril de 2016

Ele não sabe

Ouça enquanto lê




Entra no facebook. Stalkeia o perfil dela. Curti a foto que ela acabou de postar de batom vermelho. Curti a última frase romântica que ela postou. Curti a foto em que ela está sorrindo. Pensa em entrar no álbum e curtir todas as fotos que gostar. Desiste. Ele não quer escancarar seu encantamento. Apenas observa algumas fotos. Admira por longos segundos a foto em que ela está com uma de suas sobrancelhas um pouco arqueada e com a boca semi-aberta. Suspira. Imagina sua boca na dela. Sorri. Pensa em chamá-la no bate-papo. Pensa em escrever que o sorriso dela é encantador. Digita. Pára antes de completar a frase. Pensa novamente. Apaga a mensagem. Volta para a página inicial. Vê que um rapaz comentou "linda" na foto dela de batom vermelho. Vê que ela respondeu "obrigada lindo meu". Sente ciúme. Pensa que está sentindo ciúme de algo que nem é dele. Pensa que é só "mais um" bobinho apaixonado por ela. Lembra que eles só se falaram duas vezes e que trocaram pequenos sorrisos quando se esbarraram em algumas festas. Sorri ao lembrar do sorriso dela. Entra no bate-papo novamente. Escreve "Oi, seu sorriso é encantador". Não envia. Apaga mais uma vez. Irrita-se. Sai do facebook. Desliga o notebook e coloca na cômoda ao lado da cama. Deita pra dormir e... fica pensando nela. 
Eu sou o cupido. Lancei a flecha. Ele precisa agir, mas sempre ouve o medo. 
Enquanto o medo comandar, ele nunca saberá que ela sente e faz o mesmo, que ele, do lado de lá. 

Alessandra Rocha 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

1644 dias

Parece que foi ontem que vocês se encontraram, mas vocês só se enxergaram de verdade uma semana depois. Aquela tarde ensolarada no clube foi o pontapé inicial para que vocês se permitissem recomeçar (juntos).
Você nem imagina o medo que ela sentiu quando, depois de algumas horas de conversa no facebook, você pediu o número do celular dela. Ela tinha medo das expectativas que sempre cresciam e se tornavam monstrinhos dentro dela. É meu caro, as expectativas já causaram grandes danos no coração dessa moça. Ela não queria criar expectativas, mas mesmo assim as alimentava. Acredita que ela pensou em mentir? Ela quase te passou um número de celular falso. Desculpe a falta de fé dela moço, mas é que ela já tinha sofrido tanto...

Quer saber um segredo?
Lembra-se daquele sábado quente de verão em que o sol se ocultava no horizonte enquanto você parava o carro em frente a casa dela para despedir-se? Recorda-se que você a abraçou e impulsivamente deu um beijo delicado no canto direito de sua boca? Ela enrubesceu e te olhou confusa enquanto abria a porta do carro dizendo "tchau".
Ela nunca te contou que depois que ela entrou em casa, ela foi para o quarto e deitou na cama com as mãos na boca, repassando em sua mente aquele último momento em câmera lenta. Ela não conseguiu acreditar na sua cara de pau e sorriu balançando a cabeça.
Você tem dúvidas que foi esse seu jeito travesso que a fez se apaixonar?
Ela demorou pra dormir naquela noite, pensando que talvez você tivesse se tornado importante demais em tão pouco tempo. Já não havia maneira de deixar "pra lá". E ela pensou que se vocês não "acontecessem", ela estava fadada ao sofrimento mais uma vez.
Lembra-se das expectativas? Então, naquele momento, os monstrinhos já estavam maiores do que deveriam dentro dela. 
A verdade, menino, é que diante de alguns que se tornaram apenas curativos, ela esperava que você fosse a cura.
Você a abraçou e recolocou nela o pedaço que sempre fez-lhe falta. E ela descobriu que isso era amor, porque quando olhou dentro dos seus olhos, pela primeira vez, ela se viu inteira dentro de alguém.




Parece que foi ontem que vocês noivaram e (juntos) quase enlouqueceram com os 174 dias que antecederam o tão sonhado lindo-grande-dia. 

Parece que foi ontem que vocês decidiram entregar o destino nas mãos de Deus com direito a véu, buquê e marcha nupcial.
E hoje completam-se 1644 dias que ela acha essa vida um pouco mais bonita, porque há 1644 dias você existe nela.

Alessandra Rocha 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Sobre sonhos e conselhos

Seattle, 20 de abril de 2010.

Hi, my little girl Bia!

Acabei de chegar toda molhada do Seattle Center, acredita? Eu não me contive de tanta felicidade com o dia que amanheceu ensolarado por aqui hoje e aproveitei pra me divertir na fonte musical do parque. Fica bem próximo do Space needle, aquele monumento que parece um disco voador, sabe?
A fonte é linda Bia, os jatos de água são sincronizados de acordo com o ritmo da música que toca. Você se apaixonaria se conhecesse.
Tem sido ótimo esses dias que tenho passado aqui. Aqui chove muito e quando não chove, o dia quase sempre é cinza e nublado. Sinto dó do sol, coitado! Dá pra ver o empenho que ele faz para os seus raios encontrarem lacunas por entre as nuvens negras e conseguir pelo menos dar um "oizinho" para os habitantes de Seattle (risos).
Você não seria feliz aqui de jeito nenhum. São dias cinzas e nostálgicos demais para o seu gosto. Quanto a mim, acho que certamente encontrei meu lugar no mundo. Cidade chuvosa e nublada, há poucas horas do meu país preferido (Canadá) e com toque nostálgico é o cenário perfeito para tantos livros que desejo escrever.
Engraçado que lembro muito de você aqui. Porque sei de quase tudo o que você não gosta, e aqui, tem muito desse "quase tudo" (risos). Com exceção do Frapuccino que estou tomando agora. Sei que você também ama essa delícia do Starbucks. E agradeça a Seatle pelas nossas bebidas queridas, pois descobri hoje que o primeiro Starbucks nasceu aqui, não é demais? :D

Pausa. Suspiro.

Penso se consegui te distrair um pouco contando coisas daqui.
A verdade é que estou preocupada com você minha Lilo. Queria estar aí para entender melhor o que está acontecendo. Parece que a distância me impede de ajudar.
Acho que essa carta será longa, então pare um pouco e faça uma bebida pra você e depois "me" leve para algum lugar mais tranquilo. Posso te abraçar com as minhas palavras, você sabe disso. Não há distância que supere o poder das palavras e nem o amor que pode conter em cada uma delas.

Ouça. Aliás, leia atentamente.
Vi que você tem muitas dúvidas. Você faz perguntas retóricas o tempo todo. Não sei se ajudaria muito eu responder a sua pergunta retórica "quando é que eu vou aprender?". Pra falar a verdade, essa pergunta eu mesma me faço todos os dias: "quando é que a Bia vai aprender?" (risos).
Bem, entendo que você ainda não superou o fim do seu relacionamento com o Léo, e te digo que é normal não saber lidar com o que "sobrou" de você. Você só precisa lembrar que ainda "existe" você. Não é o fim, certo? Mesmo que você esteja toda bagunçada, ainda há como encontrar seus pedaços perdidos. É difícil ser forte quando o coração sangra sem parar, mas você vai conseguir.
No entanto, você só conseguirá superar quando parar de se iludir.
Ainda não acredito que você voltou a "sair" com o Léo "sem compromisso" ?
Não me venha com historinha dizendo que é porque você sente saudade e blá blá blá. Essa saudade só vai aumentar mais a cada encontro, a cada toque ou a cada beijo. Ele não ESTÁ mais com VOCÊ. Ele só quer alguém pra distrair as noites em que ele não encontrar ninguém. ANOTE ISSO E APRENDA, OK?
Isso  é carência amiga, e te digo mais, é carência em nível HARD.
Você não merece migalhas, já conversamos sobre isso, lembra?
Você sabe que o Léo não te ama mais (me pergunto se algum dia ele amou). Então pra que insistir? É como as estrelas no céu, algumas já morreram há muito tempo e o que chega até nós já é o fantasma da sua luz.
Agora você vai se perguntar como eu sei que as estrelas morrem. Ah Bia, você sabe como eu sou, vi esses dias em um seriado no Netflix e achei que seria convincente comparar o seu amor com a luz fantasmagórica delas (risos). Se não te convenci pelo menos te preenchi com um novo conhecimento (mais risos).

Bem, pelo que li não é só o Léo que tem tirado seu sono, não é mesmo?
Você se formou em administração, demorou tanto tempo pra encontrar um emprego e agora não se sente feliz nessa profissão?
Amiga, isso é mais normal do que você imagina.
Veja o meu caso como exemplo. Desde a adolescência que eu sonho em ser psicóloga, professora ou escritora, e veja, fui parar na área de exatas sei-lá-eu o porquê!
A verdade é que nunca é tarde pra perseguir seus sonhos e aspirações. Não seja medrosa gêmula, busque o que faz seu coração sorrir. Eu te apoiarei.

Suspiro. Caneta batendo na mesa.

Bia, só não entendi uma coisa.
Desejo que me explique o mais breve possível, pois você disse algo que trouxe grande agonia ao meu coração.
Porque diz que sou culpada por suas dores? Quando virei vilã dos seus sentimentos? Não entendo como contribui para essa crise existencial.
Talvez você esteja me culpando por sempre dizer o que penso sobre suas ações. E você finalmente se deu conta de que não menti quando disse que o Léo terminou com você por não aguentar sua carência excessiva e seu ciúme extremo. É isso?
Desculpe-me por isso. Minha sinceridade em demasia é muito inconveniente. Eu sei.
O que posso dizer é que fiz uma nova descoberta. O seu namoro não acabou por sua culpa. Acabou porque não era amor. Se fosse amor, o Léo ainda estaria aí e além do mas, todas essas suas peculiaridades não fariam mais parte de você. Sabe por quê? Porque o amor cura. Sim! O amor cura e nos transforma em pessoas melhores. Lembra-se do nosso seriado favorito "Beauty and the Beast"? Então, o Vincent é um homem-fera que só adquiriu humanidade pelo amor que sentia pela Cat. Ele deixou de matar pessoas porque isso a machucava, ele lutou contra seu instinto. Vê? Não é bonito?
Quando o amor é verdadeiro somos transformados. Sempre.
Eu só preciso te lembrar que eu não tenho culpa. Meu papel é te mostrar o que eu vejo estando aqui do lado de fora, mas não possuo a verdade absoluta, não sei como é sentir do lado de dentro de você. Eu até queria, sabe? Para assim poder te dizer com exatidão que eu sei como você se sente, já que essa é uma das únicas vezes que não sou totalmente sincera com você (risos).

Gêmula, o papel do amigo é dizer a verdade quando ninguém mais nos diz. É ficar perto mesmo quando o outro quer te esganar. É amar apesar dos defeitos e por causa deles, já que são eles que faz de nós quem somos, não acha?

Bem, de resto, escrevo meu último conselho:
Compre um chocolate suflair e uma coca-cola e vai assistir o show do Ed Sheeran. Aproveite essa tristezinha e chore até ela passar. Ás vezes, as crises existenciais são chuvas de verão que vêm para amenizar a seca do nosso coração. Eu tenho essas crises existenciais quase sempre, e me faz um bem danado quando ela vai embora, mas antes preciso deixar que ela cumpra sua missão em mim. É depois da chuva que sai o arco-íris, né?
Bom, e se não quiser fazer nada do que aconselhei, tudo bem, eu entenderei. Você nunca me ouve mesmo! (Risos).

Cuide-se geminha.
Fique bem.
Eu estou com você. Ou você não reconhece mais a minha letra? (HAHAHA)

P.S: Obrigada por me escrever cartas em meio a era do whatsapp. Eu amo cartas. E amo mais ainda as suas!
Beijos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Meu Cuidar

Não desejo que esse texto soe como um desabafo, ele é apenas um registro de alguém que nunca deixa de amar.
Acho que desisti de tentar entender as pessoas. Algumas, definitivamente, não sabem amar. Elas não aprenderam a amar nem a si mesmas.

Bom, meu erro foi querer bem demais, ser transparente, sincera, verdadeira demais (como sempre, né dona Alessandra?)
Eu tento engaiolar meus pensamentos. Juro que até tento desenhar um sorriso convincente em meu rosto quando as palavras fazem fila para saltar dos meus lábios. Não sei mentir. Não consigo omitir. E esse meu jeito sempre me traz grandes danos.
Se houvesse uma lei que punisse o sincericídio, eu, certamente, estaria neste exato momento vendo o sol nascer quadrado em alguma cadeia imunda deste pais.

Não. Não estou revoltada. Gosto de ser assim. Prefiro que se afastem de mim porque sou deveras sincera, que viver rodeada de pessoas porque aprendi a ser falsa. Deus que me livre dessa maldição.

Estou dando rodeios no assunto porque ele é um tanto delicado. Não mais do que parece, mas é que além da sinceridade demasiada em minha personalidade, eu também tenho tendência ao drama.
A verdade é que eu procuro métodos para amenizar a minha sinceridade. Meu excesso de cuidado sufoca e minhas palavras cheias de verdade machucam.
Bom, quem me conhece sabe que eu tenho mania de conselhos e que sempre digo o que penso a respeito das coisas que me pedem uma opinião. Portanto, aproveitando o assunto, guarde um conselho amigo: se você não gosta de sinceridade, nunca pergunte a minha opinião, ok?
E se mesmo sabendo da minha sinceridade desejar saber a minha opinião mesmo assim, não me culpe depois.

Cansei de ser culpada por dizer em voz alta aquilo que muitos dizem em pensamentos.


E não, eu não digo nada pra ferir, tudo que eu disse até hoje pra você foi pra te ajudar a não ser ferida. Mas você não percebeu!
O meu cuidar te sufocou. Minhas palavras te envenenaram. Acho que minha sinceridade matou seus sonhos, mas a realidade me entendeu.
Perdoe os meus excessos, eu também preciso me perdoar vez ou outra. Preciso me perdoar porque sempre cuido mais dos outros do que de mim.
Preciso me perdoar porque no fim das contas sou sempre eu que amo por dois e nunca aprendo a desamar.


Desejo que suas expectativas sejam correspondidas pela pessoa certa e que nada te afaste dAquele que é o único que nunca deixa de segurar a sua mão.




De alguém que demonstra seu amor "cuidando".


Alessandra Rocha

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quando escrevo

Tenho tanta coisa pra te falar. Mas acontece que toda vez que olho dentro dos seus olhos e me encontro no seu olhar, faltam-me as palavras.
Sempre que me aproximo e você me acolhe dentro do seu abraço, eu prorrogo o que preciso dizer para  amanhã,  e esse amanhã sempre é prorrogado para o outro dia.
Cada vez que mexo meus lábios na intenção de dizer-lhe o meu sentir,  você me cala com seus beijos. E eu me perco, e eu me entrego, e eu me encontro, e eu te encontro, e eu me perco ainda mais.
Quando meu corpo tenta também falar, seu toque o anestesia e ele se torna mais seu do que já foi meu um dia. Então eu escolho o silêncio, porque o silêncio também fala, mas nem ele é suficiente pra dizer tudo o que eu sinto por você. Portanto eu escrevo, porque escrevendo eu consigo organizar as palavras que dançam e se embaralham no meu ser. Assim as palavras não me faltam, as emoções não atrapalham e o meu amor se multiplica. Porque é somente quando escrevo que eu consigo te imortalizar para sempre dentro de mim.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Seus (A)braços

As vezes os dias não são tão bons como esperamos  que eles sejam. As coisas saem do eixo e o nosso eixo também sai de nós.
Várias vezes sinto não ter forças pra suportar certas coisas e outras vezes me afogo em minhas próprias lágrimas. O mundo machuca e as dores que carrego são pesadas demais pra mim. E então você vem,  olha pra dentro de mim e espanta todos os fantasmas que me assombram.
Você me dá a sua mão e diminui o peso das minhas dores. Você me beija e me devolve o fôlego que as minhas lágrimas levaram. Você abre os braços e me dá a proteção que eu preciso. Porque não há proteção mais eficaz  -contra os perigos dentro de mim- do que o seu abraço.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Apenas para agradecer

Olá Deus meu, 

Espero não estar atrapalhando, sei que o Senhor é muito ocupado e cuida de bilhões de pessoas além de mim, mas eu só queria agradecer por algumas coisas. Na verdade, vim agradecer pelo presente que me deu.
Que presente? Ora, mas o Senhor não sabe? 
Sim, realmente, tudo o que o Senhor faz por mim é um presente, a minha vida em si já é o maior de todos eles. Mas vim agradecer por um presente em especial.Vim agradecer pela vida que o Senhor deu para eu amar. Sim Deus, vim falar do meu menino.
Porque o chamo assim? Hmmm, não sei bem como explicar, mas não simpatizo muito com a palavra "marido". Acho a palavra "marido" coloquial demais. Enfim...
Acho que o Senhor sabe que completaremos 5 meses de casados, né? E sabe de uma coisa? A cada dia que passa, eu sinto o meu amor crescer mais e mais. E se o amor mora mesmo no coração, como dizem, creio que precisarei de um espaço maior, pois esse amor todo, está ficando apertado lá.
Me pergunto como isso é possível, ter tanto amor crescendo dentro de mim, sendo que a cada dia eu descubro um defeito novo no meu menino.
Se os defeitos dele me incomodam? Bem, sendo bem sincera, alguns. Mas certa vez, ouvi que são os defeitos que nos tornam únicos, e eu acho que são através dos defeitos dele que eu percebo o quanto o amo. 
Oi? Se ele está cumprindo bem o papel de esposo? Claro que está! Ele me ajuda, me escuta, me aconselha, me cuida. Eu nem consigo mensurar o quanto ele está me fazendo feliz. O Senhor sabe que algumas coisas no casamento são complicadas, né? Mas sabe, estamos aprendendo a conviver com os defeitos um do outro. O que não está certo nós arrumamos e o que não conseguimos resolver, entregamos em Suas mãos para que o Senhor resolva para nós. Ainda que demore, sabemos que esperar em Ti é a melhor das soluções. 
Sabe Deus, a nossa cumplicidade tem crescido tanto, e os  nossos pensamentos estão sempre em sintonia. O Senhor falou sério quando disse que seríamos "um só", né?
Acredita que estou desastrada e esquecida como ele? Nos tornamos "um", literalmente (risos). 
Acho que o Senhor sabe que esses dias eu desmaiei, né? E também sabe que foi por preocupação com a saúde do meu pai. Sabe, naquele dia o meu menino me surpreendeu. O Senhor sabe que Ele não é de chorar, e desde que namoramos ele só havia chorado uma vez (se é que pingos de lágrimas pode ser descrito como choro). Mas no dia que desmaiei, vi um rio incessante de lágrimas descendo por seu rosto. Eu vi o desespero inconsolável dele por me ver desmaiar de tristeza/ansiedade/preocupação. E houve um momento, em que eu não sabia mais se chorava porque pensava na saúde desabilitada do meu pai ou se chorava por ver ele chorando por mim. Eu estava com uma confusão enorme na cabeça, lágrimas incansáveis saindo dos meus olhos e um soluço gritante no meu peito, e a única coisa que eu queria quando o vi chorando, era abraçá-lo e dizer que eu estava bem. Vê-lo chorar foi mais angustiante do que as notícias que eu havia recebido horas antes.
O Senhor já tinha planejado tudo para as nossas vidas, antes mesmo de nos conhecer, não é mesmo? Nós nos damos tão bem. Nos encaixamos perfeitamente de todas as formas possíveis, se é que o Senhor me entende. Tenho certeza que me entende! 
E como sempre, olha eu falando demais. Ainda bem que o Senhor sabe que sou prolixa, né? Eu só queria mesmo agradecer. 
Quero agradecer por tudo, agradecer especialmente por ele. E eu agradecerei sempre, porque eu realmente não sei o que me tornou merecedora de tanto amor. 
E com certeza vou seguir o conselho que o Senhor me deu. Sempre que o meu amor for crescendo e começar a apertar no meu coração, vou doar um pouco para quem não tem. Acho que é uma ótima maneira de mantê-lo equilibrado. 

Obrigada por me ouvir, por me aconselhar e por me cuidar sempre, meu Deus. 

O Seu Amor chega até mim de todas as formas possíveis. Até mesmo quando eu não mereço. E eu agradeço por isso também. 

Um beijo e até sempre. 


Alessandra Rocha






segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

De quantos “Eu te amos” se faz o nosso amor?

Faz tempo que não escrevo. 

Faz tempo que não falo das coisas de dentro. Faz tempo que não falo (também) das coisas de fora. 
Hoje em dia, dormimos e acordamos juntos, falamos sobre inúmeros assuntos, nos abraçamos, nos beijamos e ficamos nos olhando em silêncio perpetuando esse sentimento que cultivamos até aqui. Mas nem sempre falamos de nós e dos nós que agora nos cerca.
Nem sempre falamos dos emaranhados de sentimentos que nos levaram aonde chegamos. 


Hoje, casados, temos a certeza de que realizamos o maior dos nossos sonhos. O sonho que foi sonhado junto e que junto foi possível alcançar.
Hoje, o "Eu te amo" proferido de mansinho numa conversa, depois de um beijo, no meio do jantar, após uma guerra de cócegas ou depois de uma DR, ganhou uma tonelada de verdade. O nosso amor ganhou esse peso porque agora conhecemos o mais íntimo do outro. Conhecemos os defeitos, as falhas, as manias. Conhecemos o que o outro nunca mostrou pra ninguém.
De quantos "Eu te amos" se faz o nosso amor? De quanto amor se faz um "Eu te amo"?
O "Eu te amo" passou a fazer sentido pra mim quando mais do que amar você, eu passei também a amar tudo o que você trouxe consigo. 
Hoje o meu "Eu te amo" tem esse peso de verdade, porque você se entregou pra mim nu   -de corpo e alma- e não teve medo do que eu pudesse pensar.
Hoje o meu amor por você é o amor que eu quero ter pelo mundo. É o amor que eu quero levar para onde eu for. Porque eu te amo de qualquer jeito e do jeito que você é. 

Eu te amo quando você deixa a sua barba assim por fazer. Eu te amo quando você me abraça e coloca minha cabeça no seu peito nu. Eu te amo quando você insiste na mania de deslizar repetidamente o seu dedo polegar no indicador enquanto conversa. Eu te amo quando você fica tímido quando eu te olho por mais de 5 segundos. Eu te amo quando você compara alguém que conhecemos com o personagem de algum filme. Eu te amo quando você sorri, fala e gargalha. Eu te amo quando antes de ir trabalhar você me abraça e diz que me ama. Eu te amo quando você canta pra mim. Eu te amo quando você imita o Paulo Ricardo (e me faz rir demais). Eu te amo quando você, com seu jeito desastrado, tropeça em alguma coisa pela casa. Eu te amo quando você me olha confuso com alguma palavra que eu falei. Eu te amo quando você banca o palhaço e me faz rir de tudo. Eu te amo quando te vejo dormir e mais ainda quando te vejo acordar. Eu te amo por isso e por mais de mil motivos que não caberão aqui. 

E de tudo isso, ainda não achei palavras que possam mensurar a felicidade que eu sinto em dormir e acordar ao seu lado. Você é a minha definição de paz.



Quero apenas que fique claro que eu não escrevi esse texto pra você. Escrevi esse texto pra mim. Pra me lembrar todos os dias que eu não preciso de motivos pra te amar. 

Eu te amo e ponto final.


Alessandra Rocha